Antigo regime Francês
É comum as pessoas exigirem seus o cumprimento dos seus direitos. Criminosos reclamam por um julgamentos justo, jornalistas reivindicam a liberdade de expressão, fiéis esperam ser respeitados em sua crença, homens e mulheres não permitem que suas casas e seus bens lhe sejam retirados pelo estado de forma arbitrária. Todos esses direitos não existiram desde sempre e não nasceram da noite para o dia. Um acontecimento do final do século XIII se tornaria o símbolo dessas conquistas: a Revolução Francesa, que durou dez anos (1789-1799).
Durante o Antigo Regime, o Estado francês era uma monarquia absolutista. O rei concentrava em suas mão o poder Executivo,judiciário e legislativo. Desse modo suas decisões dificilmente encontravam limites para serem aplicadas. As vontades particulares do monarca, muitas vezes motivadas por intrigas e caprichos pessoais, tornavam-se, na maior parte das vezes orientações para o próprio Estado francês.

O
mercantilismo, política econômica adotada pela monarquia francesa, era coerente com o absolutismo. A política mercantilista pressupunha, antes de mais nada, a intervenção do estado nas atividades econômicas francesas. o comércio nacional e de longa distância, a manufatura e o artesanato francês eram limitados e orientados conforme as determinações monárquicas, visando ao enriquecimento do rei francês.
As sociedade francesa estava divida em três ordens ou estados. O clero formava o primeiro estado, tinha o privilégio de não pagar impostos; a nobreza, formada pelo rei, sua família, condes, duques, marqueses e outros nobres que viviam de banquetes e muito luxo na corte, o segundo estado; e o terceiro estado reunia o restante da população (trabalhadores, camponeses e burguesia), que sustentava toda a sociedade com seu trabalho e com o pagamento de altos impostos. Pior era a condição de vida dos desempregados que aumentavam em larga escala nas cidades francesas.
A crise do Antigo Regime
Durante o séc. XIII, a França sofreu algumas crises que abalaram a já desgastada estrutura do reino. O tesouro francês encontrava-se esgotado. Era a manifestação de uma profunda crise financeira. A Guerra dos setes anos (1756-1763), motivada pela disputa entre franceses e britânicos pelo território de Ohio, na América do Norte, e o apoio francês à luta pela independência das colônias inglesas geraram diversas despesas. Como não conseguiam arrecadar o suficiente, o estado passou a viver de empréstimo, endividando-se cada vez mais.
A desordem entre despesas e as receitas provocou uma crise administrativa. Privilégios disseminado da sociedade impediam o controle administrativo e restringia a receita do Estado.
A crise agrária, motiva principalmente pela escassez de alimentos, tornou a situação dos trabalhadores urbanos e dos camponeses desesperadora, conduzindo a revoltas e insurreições nos campos e nas cidades.
A escassez de alimentos e a situação de miséria dos camponeses provocaram repetidas revoltas populares nos anos que antecederam a Revolução. O descontentamento popular, contudo,não era suficiente para impulsionar uma grande revolução. Era preciso uma ideologia que unisse as pessoas em torno de ideais comuns e desse expressão política à cada revolta. Essa ideologia foi fornecida pelo movimento iluminista, que mostrou aos franceses que outra forma de organizar a sociedade era viável.
A convocação dos Estados Gerais
A situação financeira tornou-se insustentável. Os ministros e os conselheiros do rei, percebendo o problema que se formava, propuseram elaborar uma reforma fiscal e administrativa. a proposta envolvia a cobrança de um novo imposto que recairia sobre toda aristocracia. Os juízes, membros do Parlamento de Paris e dos doze estados que existiam no Reino Francês, sugeriram, como saída para a grave crise financeira e política, a convocação dos Estados Gerais, buscando, na verdade, preservar seus privilégios adquiridos.
O despertar da revolução
A situação social era tão grave e
o nível de insatisfação popular tão grande que o povo foi às ruas com o
objetivo de tomar o poder e arrancar do governo a monarquia comandada pelo rei
Luis XVI. O primeiro alvo dos revolucionários foi a Bastilha. A Queda da
Bastilha em 14/07/1789 marca o início do processo revolucionário, pois a prisão
política era o símbolo da monarquia francesa.
O lema dos revolucionários era
"Liberdade, Igualdade e Fraternidade ", pois ele resumia muito bem os
desejos do terceiro estado francês.
Durante o processo
revolucionário, grande parte da nobreza deixou a França, porém a família real
foi capturada enquanto tentava fugir do país. Presos, os integrantes da
monarquia, entre eles o rei Luis XVI e sua esposa Maria Antonieta foram
guilhotinados em 1793. O clero também não saiu impune, pois os bens da Igreja
foram confiscados durante a revolução.
No mês de agosto de 1789, a Assembleia Constituinte
cancelou todos os direitos feudais que existiam e promulgou a Declaração dos
Direitos do Homem e do Cidadão. Este importante documento trazia significativos
avanços sociais, garantindo direitos iguais aos cidadãos, além de maior
participação política para o povo.
Girondinos
e Jacobinos
Após a
revolução, o terceiro estado começa a se transformar e partidos começam a surgir
com opiniões diversificadas. Os girondinos, por exemplo, representavam a alta
burguesia e queriam evitar uma participação maior dos trabalhadores urbanos e
rurais na política. Por outro lado, os jacobinos representavam a baixa
burguesia e defendiam uma maior participação popular no governo. Liderados por
Robespierre e Saint-Just, os jacobinos eram radicais e defendiam também
profundas mudanças na sociedade que beneficiassem os mais pobres.
A Fase do Terror
Em 1792, os radicais liderados por Robespierre, Danton e Marat assumem o poder
e organização as guardas nacionais. Estas recebem ordens dos líderes para matar
qualquer oposicionista do novo governo. Muitos integrantes da nobreza e outros
franceses de oposição foram condenados a morte neste período. A violência e a
radicalização política são as marcas desta época.
Maximilien de Robespierre: defesa
de mudanças radicais
A burguesia no poder
Napoleão Bonaparte: implantação
do governo burguês
Em 1795, os
Girondinos assumem o poder e começam a instalar um governo burguês na França.
Uma nova Constituição é aprovada, garantindo o poder da burguesia e ampliando
seus direitos políticos e econômico. O general francês Napoleão Bonaparte é
colocado no poder, após o Golpe de 18 de Brumário (9 de novembro de 1799) com o
objetivo de controlar a instabilidade social e implantar um governo burguês.
Napoleão assume o cargo de primeiro-cônsul da França, instaurando uma ditadura.
Conclusão:
Enfim, a Revolução Francesa foi um importante marco na História Moderna
da nossa civilização. Significou o fim do sistema absolutista e dos privilégios
da nobreza. O povo ganhou mais autonomia e seus direitos sociais passaram a ser
respeitados. A vida dos trabalhadores urbanos e rurais melhorou
significativamente. Por outro lado, a burguesia conduziu o processo de forma a
garantir seu domínio social. As bases de uma sociedade burguesa e capitalista
foram estabelecidas durante a revolução. Os ideais políticos (principalmente
iluministas) presentes na França antes da Revolução Francesa também
influenciaram a independência de alguns países da América Espanhola e o
movimento de Inconfidência Mineira no Brasil.
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Citação:
O Analfabeto
Político
O pior analfabeto é o analfabeto político.
Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos. Ele não
sabe o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do
sapato e do remédio dependem das decisões políticas.
O
analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que
odeia a política. Não sabe o imbecil que, da sua ignorância política, nasce a
prostituta, o menor abandonado, e o pior de todos os bandidos, que é o político
vigarista, pilantra, corrupto e lacaio das empresas nacionais e multinacionais.
Bertolt Brecht
Aula 21/05/13