21 de mai. de 2013

Revolução francesa

     Antigo regime Francês                                                                 


É comum as pessoas exigirem seus o cumprimento dos seus direitos. Criminosos reclamam por um julgamentos justo, jornalistas reivindicam a liberdade de expressão, fiéis esperam ser respeitados em sua crença, homens e mulheres não permitem que suas casas e seus bens lhe sejam retirados pelo estado de forma arbitrária. Todos esses direitos não existiram desde sempre e não nasceram da noite para o dia. Um acontecimento do final do século XIII se tornaria o símbolo dessas conquistas: a Revolução Francesa, que durou dez anos (1789-1799).
Durante o Antigo Regime, o Estado francês era uma monarquia absolutista. O rei concentrava em suas mão o poder Executivo,judiciário e legislativo. Desse modo suas decisões dificilmente encontravam limites para serem aplicadas. As vontades particulares do monarca, muitas vezes motivadas por intrigas e caprichos pessoais, tornavam-se, na maior parte das vezes orientações para o próprio Estado francês.
O mercantilismo, política econômica adotada pela monarquia francesa, era coerente com o absolutismo. A política mercantilista pressupunha, antes de mais nada, a intervenção do estado nas atividades econômicas francesas. o comércio nacional e de longa distância, a manufatura e o artesanato francês eram limitados e orientados conforme as determinações monárquicas, visando ao enriquecimento do rei francês.
As sociedade francesa estava divida em três ordens ou estados. O clero formava o primeiro estado, tinha o privilégio de não pagar impostos; a nobreza, formada pelo rei, sua família, condes, duques, marqueses e outros nobres que viviam de banquetes e muito luxo na corte, o segundo estado; e o terceiro estado reunia o restante da população (trabalhadores, camponeses e burguesia), que sustentava toda a sociedade com seu trabalho e com o pagamento de altos impostos. Pior era a condição de vida dos desempregados que aumentavam em larga escala nas cidades francesas.




     A crise do Antigo Regime                                                           


Durante o séc. XIII, a França sofreu algumas crises que abalaram a já desgastada estrutura do reino. O tesouro francês encontrava-se esgotado. Era a manifestação de uma profunda crise financeira. A Guerra dos setes anos (1756-1763), motivada pela disputa entre franceses e britânicos pelo território de Ohio, na América do Norte, e o apoio francês à luta pela independência das colônias inglesas geraram diversas despesas. Como não conseguiam arrecadar o suficiente, o estado passou a viver de empréstimo, endividando-se cada vez mais.
A desordem entre despesas e as receitas provocou uma crise administrativa. Privilégios disseminado da sociedade impediam o controle administrativo e restringia a receita do Estado.
A crise agrária, motiva principalmente pela escassez de alimentos, tornou a situação dos trabalhadores urbanos e dos camponeses desesperadora, conduzindo a revoltas e insurreições nos campos e nas cidades.
  • A pressão por mudanças

A escassez de alimentos e a situação de miséria dos camponeses provocaram repetidas revoltas populares nos anos que antecederam a Revolução. O descontentamento popular, contudo,não era suficiente para impulsionar uma grande revolução. Era preciso uma ideologia que unisse as pessoas em torno de ideais comuns e desse expressão política à cada revolta. Essa ideologia foi fornecida pelo movimento iluminista, que mostrou aos franceses que outra forma de organizar a sociedade era viável.
  • A convocação dos Estados Gerais

A situação financeira tornou-se insustentável. Os ministros e os conselheiros do rei, percebendo o problema que se formava, propuseram elaborar uma reforma fiscal e administrativa. a proposta envolvia a cobrança de um novo imposto que recairia sobre toda aristocracia. Os juízes, membros do Parlamento de Paris   e dos doze estados que existiam no Reino Francês, sugeriram, como saída para a grave crise financeira e política, a convocação dos Estados Gerais, buscando, na verdade, preservar seus privilégios adquiridos.


     O despertar da revolução                                                            


A situação social era tão grave e o nível de insatisfação popular tão grande que o povo foi às ruas com o objetivo de tomar o poder e arrancar do governo a monarquia comandada pelo rei Luis XVI. O primeiro alvo dos revolucionários foi a Bastilha. A Queda da Bastilha em 14/07/1789 marca o início do processo revolucionário, pois a prisão política era o símbolo da monarquia francesa.
O lema dos revolucionários era "Liberdade, Igualdade e Fraternidade ", pois ele resumia muito bem os desejos do terceiro estado francês.
Durante o processo revolucionário, grande parte da nobreza deixou a França, porém a família real foi capturada enquanto tentava fugir do país. Presos, os integrantes da monarquia, entre eles o rei Luis XVI e sua esposa Maria Antonieta foram guilhotinados em 1793. O clero também não saiu impune, pois os bens da Igreja foram confiscados durante a revolução.
No mês de  agosto de 1789, a Assembleia Constituinte cancelou todos os direitos feudais que existiam e promulgou a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão. Este importante documento trazia significativos avanços sociais, garantindo direitos iguais aos cidadãos, além de maior participação política para o povo.


    Girondinos e Jacobinos                                                               


Após a revolução, o terceiro estado começa a se transformar e partidos começam a surgir com opiniões diversificadas. Os girondinos, por exemplo, representavam a alta burguesia e queriam evitar uma participação maior dos trabalhadores urbanos e rurais na política. Por outro lado, os jacobinos representavam a baixa burguesia e defendiam uma maior participação popular no governo. Liderados por Robespierre e Saint-Just, os jacobinos eram radicais e defendiam também profundas mudanças na sociedade que beneficiassem os mais pobres.


A Fase do Terror 


Robespierre
Em 1792, os radicais liderados por Robespierre, Danton e Marat assumem o poder e organização as guardas nacionais. Estas recebem ordens dos líderes para matar qualquer oposicionista do novo governo. Muitos integrantes da nobreza e outros franceses de oposição foram condenados a morte neste período. A violência e a radicalização política são as marcas desta época.


 Maximilien de Robespierre: defesa de mudanças radicais



A burguesia no poder                                                                       


Napoleão Bonaparte: implantação do governo burguês

Em 1795, os Girondinos assumem o poder e começam a instalar um governo burguês na França. Uma nova Constituição é aprovada, garantindo o poder da burguesia e ampliando seus direitos políticos e econômico. O general francês Napoleão Bonaparte é colocado no poder, após o Golpe de 18 de Brumário (9 de novembro de 1799) com o objetivo de controlar a instabilidade social e implantar um governo burguês. Napoleão assume o cargo de primeiro-cônsul da França, instaurando uma ditadura.

Conclusão:
 
Enfim, a Revolução Francesa foi um importante marco na História Moderna da nossa civilização. Significou o fim do sistema absolutista e dos privilégios da nobreza. O povo ganhou mais autonomia e seus direitos sociais passaram a ser respeitados. A vida dos trabalhadores urbanos e rurais melhorou significativamente. Por outro lado, a burguesia conduziu o processo de forma a garantir seu domínio social. As bases de uma sociedade burguesa e capitalista foram estabelecidas durante a revolução. Os ideais políticos (principalmente iluministas) presentes na França antes da Revolução Francesa também influenciaram a independência  de alguns países da América Espanhola e o movimento de Inconfidência Mineira no Brasil. 
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Citação: 

O Analfabeto Político
O pior analfabeto é o analfabeto político. Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos. Ele não sabe o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio dependem das decisões políticas.
O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política. Não sabe o imbecil que, da sua ignorância política, nasce a prostituta, o menor abandonado, e o pior de todos os bandidos, que é o político vigarista, pilantra, corrupto e lacaio das empresas nacionais e multinacionais.
                                                                                                                             Bertolt Brecht

Aula  21/05/13

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